Resenha #30 – O Homem de Giz – C. J. Tudor

Amazon.com.br eBooks Kindle: O homem de giz, Tudor, C. J.

Título: O Homem de Giz
Páginas: 272
Ano: 2018
Editora: Intrínseca
Autora: C. J. Tudor

Sinopse:

Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.

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Resenha

O livro é narrado apenas pela perspectiva de Eddie. No entanto, há dois momentos: os acontecimentos de 1986, o passado, e o que está acontecendo por agora, no presente, em 2016. Na primeira época, lá na década de 80, Eddie e seus amigos (Nicky, Gav, Mickey e Hoppo) de infância são fortemente unidos e procuram sempre se divertir por aí, andando de bicicleta. Mas a coisa fica “feia” quando em um desses passeios eles são surpreendidos por um assassinato na pequena cidade que moram. Afinal, eles estavam na hora errada e no lugar errado: acabaram por encontrar um corpo no bosque.

Achamos que queremos respostas, mas o que de fato queremos são as respostas certas. É a natureza humana. Fazemos perguntas esperando que nos digam a verdade que queremos ouvir. O problema é que não podemos escolher nossas verdades. A verdade tem o hábito de simplesmente ser a verdade. A única escolha que temos é a de acreditar ou não nela.

Isso porque o crime, aliás, acontece depois de que um certo professor, até então desconhecido pelos vizinhos, aparece pelo lugar. Esse mesmo cara é o responsável por apresentar a eles o tal do homem de giz, um código secreto. Os desenhos, que passam a se tornar uma forma de comunicação entre os jovens, surgem em suas vidas e perduram até o presente, quando eles se deparam novamente, mas agora de uma forma ruim, com a imagem.

Não. Nenhum de nós está realmente preparado para a morte. Para algo tão definitivo. Como seres humanos, estamos acostumados a controlar nossas vidas. A estendê-las até certo ponto. Mas a morte não aceita argumentos. Nenhum apelo final. Nenhum recurso. Morte é morte, e ela detém todas as cartas. Mesmo que a enganemos uma vez, ela não vai nos deixar blefar na segunda.

Já em 2016, tentando esquecer o que viu há 30 anos, Eddie está buscando lidar com o fato de que o assassinato se tornou um fantasma e teve consequências severas na vida de cada um dos amigos. Porém, isso não parece ter fim, sobretudo porque ele é surpreendido quando um dos colegas é encontrado morto, após ter o procurado para afirmar que sabia como encontrar o assassino de Elisa, a menina que encontraram no bosque. Quem quer esteja envolvido não quer que eles saibam o que de fato aconteceu. Os sobreviventes, então, recebem um desenho do homem de giz enforcado, como uma mensagem para o que ocasionou o fim da vida da pessoa.

Eu me pergunto se os santos precisam levar vidas completamente irrepreensíveis ou se é possível viver como pecador, realizar alguns milagres aqui e ali e acabar sendo santificado. Parece que as coisas são assim na religião. Mate, estupre e mutile, mas tudo será perdoado caso você se arrependa. Isso nunca me pareceu justo. Mas, afinal – assim como a vida -, Deus não é justo.

Eddie é um homem formado, que divide uma casa com sua inquilina, a Chloe, mas ainda assim solitário. Ele não deu sorte no amor, muito por conta de tudo o que teve que passar e seu jeito meio misterioso e bêbado de ser. Contudo, a morte do amigo vem para mexer com seus sentimentos mais uma vez. Nesse sentido, atualmente, ele precisa saber o que está por trás do assassinato – das duas pessoas – e por que esses acontecimentos estão interligados.

Opinião

A escrita da autora é muito boa, por isso, se torna bem fluida a leitura. Conseguiu me prender do meio para o fim, ainda que no início tenha sido um pouco confusa e meio parada. Mas entendo que precisávamos de uma ambientação antes de chegarmos ao ponto principal. De fato, o ponto mais positivo que encontrei foi, sem dúvidas, a maneira que a autora escreve e nos leva a embarcar de forma imersiva à narrativa. Além de espectadores, tentamos entender e ligar os pontos para descobrir como será no final, como verdadeiros detetives – se é que se pode dizer que houve uma conclusão.

No fim, cada um tem uma certa culpa no cartório. Todos são suspeitos, mas o óbvio não parece ser tão óbvio assim. Quem achamos que é bonzinho, no final não é o que parece. O que me fez dar uma nota inferior a 5,0, todavia, foi porque achei algumas pontas soltas, sabe? Até agora fico me questionando tal acontecimento, mesmo que ache que não passou simplesmente despercebido – é que, realmente, não teve uma explicação. Além das pontas soltas, algumas informações foram meio vagas. Portanto, tive que tirar meia estrela, embora tenha me fisgado e seja um livro muito bom para passar o tempo e até te tirar de uma ressaca literária.

Avaliação

Avaliação: 4.5 de 5.

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Jogando com o Acaso

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Escrito por

É nascida e criada no Rio de Janeiro, tem 24 anos e é formada em Jornalismo. Atualmente, trabalha como redatora de conteúdo e revisora de textos. Ama os animais, música, mídias sociais e escrita.

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